Prévia v0 · dados até 10/10/2026 · versão 2026-10-10_660c1f13
Metodologia
Quem venceu os melhores, no auge e por mais tempo. O ranking mede isso só com lutas no UFC, num modelo aberto: mostramos os números, a faixa de posição e o método, para você concordar ou discordar com argumento.
Prévia v0: usa 4 de 5 componentes. Dominância ainda não entra; quando entrar, a ordem pode mudar.
Glossário
- Nota geral
- Nota de 0 a 100 que combina os componentes; o 1º colocado tem 100 e o último, 0.
- Pico
- Quão bom foi no melhor momento da carreira: melhor média do rating conservador em 3 anos.
- Currículo
- Soma do valor das vitórias, maior quanto melhor era o adversário na data da luta.
- Longevidade
- Tempo entre a elite da divisão, contando só períodos com luta nos últimos 24 meses.
- Títulos
- Cinturões conquistados, defendidos e unificados, com bônus por segunda divisão.
- Dominância
- Margem das vitórias: rounds vencidos e finalizações. Entra na v1.
- Faixa de posição
- Onde o lutador ficou nos cenários testados (percentil 10 a 90): mostra a sensibilidade às escolhas do modelo.
- Posição variável
- Faixa larga para o tamanho do ranking (pelo menos 6 posições e 2% do ranking): a posição depende bastante das escolhas do modelo.
- Rating (μ)
- Força estimada do lutador pelo sistema Glicko-1, atualizada a cada luta. Todos estreiam com 1500.
- Margem do rating (RD)
- Quanto o rating ainda pode variar (RD). Cai com lutas frequentes e sobe com a inatividade.
- Rating conservador (μ − RD)
- O rating menos a margem. É o que os componentes usam, para que poucas lutas não inflem o auge.
- Modelo base
- O modelo com os pesos e parâmetros de referência. A lista do site segue a posição nele.
- GOAT
- Sigla em inglês de “greatest of all time”: o maior de todos os tempos.
Quem entra
Só a Era Moderna do UFC, com rankings masculino e feminino separados. Entra quem tem pelo menos 8 lutas no UFC na era (masculino) ou 4 lutas (feminino). O mínimo menor no feminino reflete carreiras mais curtas no UFC, já que as divisões femininas só existem desde 2013. A Era Pioneira terá ranking próprio, por faixas, em versão futura.
As notas são relativas a cada ranking: 100 no masculino e 100 no feminino não são comparáveis.
Rating
O motor é o Glicko-1, atualizado luta a luta, em ordem cronológica. Todos estreiam com 1500 e margem do rating (RD) de 150, valor escolhido pelo menor log-loss nas lutas até 2016. A margem cai conforme o lutador acumula lutas e sobe com a inatividade. Vencer um adversário forte rende mais do que vencer um fraco. O Glicko-2 e o Elo rodam como variantes de sensibilidade, para ver o quanto a escolha do motor muda o resultado, mas não definem a lista.
Os componentes usam o rating conservador, μ − RD. No gráfico do perfil, a linha principal é esse rating conservador, em degrau (ele só muda em dia de luta), e a área clara até a linha tracejada (μ) é a margem do rating.
Resultados: vitória vale 1, empate 0,5 e derrota 0. Luta sem resultado (NC) não conta e não altera o rating.
Componentes e nota geral
Cada componente vira um z-score: quantos desvios-padrão o lutador fica acima ou abaixo da média do mesmo ranking (era e gênero). Currículo, Títulos e Longevidade passam antes por log(1 + x), e a cauda de baixo é aparada no percentil 1. A nota geral é a soma ponderada dos z-scores, reescalada de 0 a 100 só para exibição: o 1º colocado tem 100 e o último, 0.
A nota de 0 a 100 de cada componente, mostrada em cinza no perfil, é a mesma reescala aplicada a cada componente. Ela serve para comparar lutadores num componente, mas não soma direto na nota geral: o que soma é a contribuição (peso × z), que é a barra do perfil.
| Componente | Peso nesta prévia | Peso na versão final | O que mede |
|---|---|---|---|
| Pico | 33,3% | 30% | Quão bom foi no melhor momento: a maior média do rating conservador (μ − RD) numa janela de 3 anos com pelo menos 3 lutas. |
| Currículo | 33,3% | 30% | A soma do valor das vitórias. Cada vitória vale o quanto o adversário estava acima da mediana da divisão naquela data, com bônus para adversário de elite ou campeão. |
| Longevidade | 16,7% | 15% | Anos com rating conservador acima da linha de elite da divisão (o top 5 ativo: a linha é o rating do 5º melhor lutador ativo), contando só períodos com luta nos últimos 24 meses. |
| Títulos | 16,7% | 15% | Pontos por cinturão: conquista linear 3, defesa 2, interino 1, unificação +1, segunda divisão +3, dois cinturões ao mesmo tempo +2. |
| Dominância | não entra | 10% | Margem das vitórias: 60% fração de rounds vencidos e 40% taxa de finalização. Entra na v1. |
Sem a Dominância, os pesos dos outros componentes são redistribuídos na mesma proporção. Quando ela entrar, a ordem pode mudar. Pico, Currículo e Longevidade são correlacionados, então mexer em um deles muda menos do que parece. Estatísticas de luta (golpes, quedas) não entram nesta prévia; a Dominância da v1 usará os rounds vencidos e as finalizações.
Faixa de posição
É uma medida de sensibilidade às nossas escolhas. Rodamos o modelo variando os pesos em ±10 pontos percentuais, os parâmetros do motor, o Glicko-2 e o Elo no lugar do Glicko-1 e o tratamento de doping. A faixa mostra onde o lutador ficou em 80% dos cenários testados, do percentil 10 ao 90, e o tique marca a posição mediana dos cenários. Por exemplo, Jon Jones ficou em 1º; Randy Couture, a faixa mais larga do top 20 masculino, ficou entre 16º–31º.
A ordem da lista. A ordem e a posição publicadas são as do modelo base: o ponto na faixa. A faixa mostra a mediana dos cenários (o tique) e o intervalo de p10 a p90. Quando a mediana difere do modelo base, o tique e o ponto aparecem em lugares diferentes da barra.
Na lista, a faixa usa a mesma escala para todos, do 1º ao 60º. Uma faixa que vai além termina em seta, com a posição final escrita (por exemplo, “→ 226º”).
A faixa não é margem de erro estatística nem intervalo de confiança: mede só o quanto a posição depende das escolhas do modelo. A partir da v1, reamostragens por evento vão somar a incerteza estatística à faixa.
Validação
Para deixar de ser prévia, o ranking precisa passar por três testes. Esta versão passou nos testes e segue como prévia porque ainda usa 4 de 5 componentes.
- Poder preditivo. A probabilidade do rating antes de cada luta é comparada com a das odds de fechamento (Brier e log-loss). O backtest escolhe parâmetros, como a margem de estreia, e funciona como piso: fora da amostra, o rating não pode perder para o palpite “vence quem tem o melhor cartel” nem para o 50% constante. Ele não aprova o ranking sozinho.
- Estabilidade. As faixas de posição e a comparação com o FightMatrix sustentam a aprovação.
- Bom senso. Se nomes consagrados (Jon Jones, Georges St-Pierre, Anderson Silva, Khabib Nurmagomedov, Demetrious Johnson) ficarem fora do top 15 masculino, ou Amanda Nunes fora do top 3 feminino, os parâmetros são revisados e a decisão fica registrada. O teste serve para achar erros de cálculo, não para impor uma ordem.
Doping e desclassificação
Luta anulada por doping não conta. Teste positivo sem anulação mantém o resultado e aparece com a marca ⚠. Desclassificação vale o resultado oficial.
Uma tese com dados
O motor de rating acerta pouco luta a luta: a AUC no backtest é de cerca de 0,58, pouco acima do palpite aleatório (0,50). Isso não surpreende, porque o resultado de uma luta de MMA tem muito acaso. A consequência é que o rating sozinho não decide o ranking: os pesos dos componentes têm papel decisivo, e escolhê-los é uma decisão editorial.
Por isso tratamos o ranking como uma tese editorial apoiada em dados, não como uma medição neutra da grandeza. Os números organizam a discussão e a faixa de posição mostra o quanto o resultado depende dessas escolhas. Quem discordar dos pesos tem o método inteiro para refazer a conta.
Limitações
- Só UFC. Quem teve o auge em outras organizações (Pride, Strikeforce, WEC) aparece subavaliado por definição.
- Divisões rasas. Com poucos lutadores, o rating dos adversários fica menos preciso e as faixas ficam mais largas.
- Lutadores em atividade. A nota muda a cada luta; o ranking indica a data de corte.
- Placar dos juízes é tomado como verdade, inclusive em decisões contestadas.
- Fotos. Só imagens com licença livre do Wikimedia Commons; muitos perfis ficam sem foto. Créditos das imagens.
Documento completo e histórico
A metodologia detalhada, com fórmulas e decisões registradas, está no repositório: metodologia-ranking-goat.md no GitHub. As mudanças de método, versão a versão, estão no changelog do método.